sexta-feira, 20 de setembro de 2013

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Dylanesques

Dick Campbell - Sings Where Its At (1965)



" No estúdio A da Columbia Records, em 15 de julho de 1965, o cantor está tentando encontrar sua canção, dedilhando notas no piano. A sensação é de júbilo quando ele começa a cantar. Sua voz soa como se tivesse acabado de encolher três números depois de voltar da lavanderia. Ele arranca algumas notas aleatórias de sua gaita. O ritmo três por quatro é penoso, esmagado a já arriada melodia até ela se estatelar no chão. O organista força sua entrada na música, como um espectador de um acidente, decidido a fazer alguma coisa para ajudar, por mais inútil que isso seja. Dylan descobriu a música folk, a velha música country e os velhos blues – e descobriu que, em termos de canção e história, não havia uma linha mais multiforme riscada na nação que a traçada pela Highway 61. A história se fizera naquela estrada em tempos passados, e história se faria ali nos tempos futuros."
                                                                     Greil Marcus – no livro Like A Rolling Stone



Em 1965 Bob Dylan estava no auge de sua forma criativa. Foi em julho desse ano que assombrou os puristas empunhando uma guitarra elétrica no festival de Newport. Nesse mesmo ano gravou um par de álbuns seminais que iriam nortear irremediavelmente boa parte da produção musical nos anos seguintes.

Dick Campbell era um obscuro cantor folk que vagava pelos bares de Monroe e havia gravado alguns singles sem nenhum sucesso. Numa tentativa desesperada da gravadora Mercury de encontrar um novo Bob Dylan foi recrutado pelo produtor Lou Reizner para gravar um álbum que soasse parecido com os lançamentos recentes de Mr. Zimmerman. Parte dos músicos convocados para acompanhá-lo estava no palco com Dylan na mítica noite em Newport. O line up foi completado por integrantes do desconhecido grupo The Exceptions.

O resultado final pode ser interpretado como um exercício mal sucedido de oportunismo sem nenhum traço de autenticidade, e ainda revela Campbell como um decalque opaco a quilômetros de distância do modelo original. Em permanente luta com seus fantasmas algumas imperfeições fazem todo sentido, e ouvido com as devidas ressalvas o álbum tem seus méritos - um instrumental eficiente e por vezes afiadíssimo, com destaque para o órgão de Mark Naftalin, a harmônica de Paul Butterfield e a guitarra efusiva de Mike Bloomfield - que reproduz seus grandes momentos do álbum Highway 61 Revisited.

Campbell depois firmou parceria com Gary Usher e enveredou pelos caminhos mais doces do sunshine pop e na década seguinte se tornaria produtor de cinema abandonando definitivamente suas pretensões musicais.

Sings Where Its At, assim como muitos outros lançamentos de 1965, reverenciam a nova fase de Dylan e a improvável gênese do folk rock - pastiches ou legítimos herdeiros - dando palha para o surgimento eminente de novas paisagens sonoras. Os próximos capítulos seriam de cores saturadas, encharcadas de experimentalismo e ácido lisérgico, em seus anos mais inventivos e  revolucionários. 



sábado, 7 de setembro de 2013

Cowboys Cósmicos

Canções esquecidas no Lado B


Editada pela gravadora Not Lame em 2006 no raro e exclusivo cd bônus do tributo ao Buffalo Springfield, "My Cherokee" gravada pelo Maplewood é um folk rock ensolarado que lembra as melodias mais delicadas e intimistas de Richie Furay.


Inspirada releitura do clássico de Eric Andersen lançada no single By Your Side em 2001 pela Sub Pop, "Close The Door Lightly When You Go" é orientada pelo padrão Byrds de excepcional qualidade que sempre permeou a obra dos Beachwood Sparks.


domingo, 18 de agosto de 2013

Gene Clark - White Light Demos e Roadmaster


Gene Clark foi um singer-songwriter de carreira errática e canções apaixonantes. Outsider de aura cult, seu fraco sempre foi a bebida e as drogas que acabaram o levando muito cedo aos 46 anos.

Seus álbuns do inicio da década de 70 reúnem alguns dos melhores registros do gênero mas nunca tiveram um tratamento à altura de seu irrefutável talento, e em alguns casos foram soterrados por produções desastrosas.

Roadmaster de 1972 foi caso típico. Editado somente na Alemanha e Holanda, agrupava canções com alto teor de lirismo, melodias inesquecíveis e contava com músicos do quilate de Spooner Oldham, Clarence White, Byron Berline, Sneaky Pete Kleinow, Bernie Leadon, Rick Roberts, além dos companheiros de sua antiga banda - McGuinn, Hillman, Crosby, Clarke - os Byrds em sua formação original.

Após inacreditáveis 40 anos a gravadora Sundazed corrigiu parte dessa falta gravíssima e realizou um trabalho primoroso de reedição do álbum. Utilizando as fitas originais e tecnologias atuais de estúdio as canções ganharam mais brilho, consistência e  gravitam agora próximas à plenitude.
















White Light Demos são as sessões do que seria sua maior obra-prima, o álbum homônimo de 1971. Algumas dessas gemas já pipocavam há tempos em diversos boots e agora foram reunidas em um único pacote. Uma sucessão inevitável de futuros clássicos e toda sua simplicidade - apenas voz, violão e gaita. Polaroids folkies perfeitas para um esquecido final de tarde.








sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Vamos a Matar, Compañeros (1970) Sergio Corbucci 

Franco Nero


Sergio Corbucci foi um dos principais pilares do Spaguetti Western e se não teve a mesma notoriedade de Sergio Leone e sua trilogia dos dólares, sua cinematografia constitui uma etapa tão relevante quanto a de seu xará mais famoso.

Em 1966 já havia realizado o seminal Django  que fez enorme sucesso, rendeu inúmeras sequencias e consolidou o padrão Corbucci de direção com todas as suas idiossincrasias e genialidade.

Vamos a Matar Compañeros de 1970 é um de seus filmes mais políticos. Com fotografia de Alejandro Ulloa, música de Ennio Morricone e atuações memoráveis de Franco Nero, Tomas Millian, Jack Palance, Fernando Rey e Francisco Bódalo, se apropria do mote da revolução mexicana e aterroriza o vilarejo de San Bernardino desfilando seu inspirado repertório de situações absurdas e exageros de toda ordem. 


sábado, 3 de agosto de 2013

                    The Deep Dark Woods  
Tesouros perdidos nos porões da Big Pink



Liderados por Ryan Boldi – uma espécie de Robbie Robertson da atualidade – os canadenses do Deep Dark Woods possuem vincada matriz nos Basement Tapes de Bob Dylan & The Band e resgatam com maestria toda a tradição e as raízes mais profundas da música norte americana. Em seu painel sonoro coabitam o rock, o folk, o country, o blues, o gospel...

Na estrada desde 2005, já lançaram 4 álbuns e embora explicitamente influenciados por seus compatriotas do The Band suas canções vestem roupagens modernas e são executadas num perfeito estado de combinação dos ingredientes atrás referidos.